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Já estava meio irritado com o ritmo lento do ônibus. Um puta trânsito à frente. O motorista, um senhor de uns setenta e tantos anos, já estava quase dormindo em cima do volante. Paramos no ponto e um cara estranho entrou. Deu uma nota de cinquenta pro cobrador, que disse que não tinha troco, coisa que eu sabia ser mentira, porque vi ele guardando várias notas de dez reais num bolsinho escondido. O cara pegou a nota de cinquenta de volta, procurou na mala de couro marrom e achou uma nota de cinco. Agora sim. Fiquei olhando pro cara, que se sentou ao lado de uma senhora tão enrugada que parecia um cotovelo de velho. No fone de ouvido dele rolava uma música antiga do Metallica. Pelo menos parecia Metallica. Aos poucos o trânsito foi diminuindo. Quando estávamos perto do meu ponto, me levantei, apertei o botão do sinal e esperava o ônibus parar. Continuava observando aquele cara estranho, que já estava sentado no lado da janela, já que a velhinha já havia descido, coisa de uns três pontos antes. O cara parecia estar meio atordoado com alguma coisa. Pensei em continuar dentro do ônibus pra tentar descobrir o que era, mas como já estava atrasado para jantar com minha esposa e a mãe dela, desci. O cara continuou sentado até o ponto final. Quando o ônibus parou, ele se levantou e, sem nem olhar pros lados, foi embora como se estivesse com muita pressa. Ele subiu a escada rolante e saiu do terminal sem diminuir o passo uma só vez. Aquilo era muito estranho, até mesmo para alguém que passou quase uma hora dentro do ônibus. O cara caminhou mais ou menos uns vinte minutos. Tá bom, vinte minutos acho que é exagero. Uns quinze minutos. Nesse meio tempo eu já tinha me arrumado e já tinha chegado ao restaurante. Minha sogra, que não é aquele tipo de sogra que enche o saco do genro, por incrível que pareça, fez uma brincadeira dizendo que já estava cogitando pedir a minha sobremesa, já que eu não chegaria a tempo do prato principal. Mostrei um sorriso amarelo pra ela perceber que eu não achei a menor graça naquele comentário. Quando nos sentamos, o garçom veio nos atender quase que imediatamente, algo que me surpreendeu, afinal, o restaurante estava bastante cheio e, ao dar uma olhada rápida pelo ambiente, não me pareceu que eles tinham tantos funcionários assim. Quando os nossos pedidos chegaram, fiquei impressionado com o cheiro horrível que vinha do prato da minha esposa. Pensei até em falar alguma coisa pra ela, mas, como ela parecia estar muito satisfeita com aquele cheiro, imaginei que a comida que ela pediu deveria ter mesmo aquele cheiro e eu passaria por idiota se comentasse alguma coisa. De repente percebi que a mãe da minha esposa estava meio desatenta à nossa conversa, que, pra falar a verdade, estava, de fato, muito chata. Perguntei qual era o problema, e ela, com uma cara meio estúpida, disse que não era nada e voltou a prestar atenção naquele papo furado da minha esposa. Depois que saímos do restaurante, notei que aquele mesmo cara estranho que eu vi no ônibus estava encostado num Fiat Uno verde metálico horrível, bem ao lado do Corsa amarelo da minha sogra. Achei aquilo bizarro, mas preferi não falar nada. Minha esposa deu tchau pra mãe e entrou no carro. Eu dei um abraço nela e falei que da próxima vez tentaria chegar no horário marcado. Fomos embora. A mãe da minha esposa se dirigiu até o Corsa, mas não entrou. Ela acendeu um cigarro, jogou a bolsa dentro do Corsa e foi conversar com o cara estranho do ônibus. Ela chegou toda sedutora, mas, aparentemente, o cara não suportava fumaça de cigarro, e pediu pra ela apagar aquele Derby antes que chegasse mais perto. Ela deu uma última tragada e o jogou no chão (o cigarro, não o cara). Foi só ela largar o cigarro que o cara pegou a minha sogra, que, admito, até que é uma coroa bem interessante, a encostou no Uno e começou a colocar a mão por baixo daquele vestido verde abacate extremamente ultrapassado que ela adorava usar. Aquilo rolou por mais ou menos uns dez minutos, o que me pareceu até bastante ação para uma mulher da idade da minha sogra. Depois, cada um entrou em seu carro e, como se fossem desconhecidos, seguiram seus rumos. O cara do ônibus morava um pouco longe do restaurante, e, estranhamente, acendeu um Derby dentro do carro para relaxar. Quando chegou na porta de casa, o cara, que já estava no seu quarto ou quinto cigarro, agora não me lembro direito, sentou-se no degrauzinho sujo ao lado de um saco de lixo como quem esperava por algo. Ele ficou lá por mais ou menos uns sete minutos. Do nada, se levantou, entrou em casa e foi dormir. No dia seguinte, eu, já dentro do ônibus a caminho da empresa, vi aquele cara estranho caminhando daquele jeito estranho dele ouvindo Metallica no fone de ouvido sem olhar pra cara de ninguém. Imediatamente dei sinal pra descer do ônibus. Eu sei que abordar aquele cara sem mais nem menos não seria a coisa mais adequada a fazer, mas, mesmo assim, eu precisava saber quem ele era. Desci do ônibus e comecei a seguir o cara. Ele andava rápido, mas, como não percebeu que eu estava na sua cola, não tentava me despistar. Finalmente, quando o alcancei, coloquei a mão direita no ombro esquerdo dele. Ele parou, se virou e me perguntou o que eu queria. Como eu tive que andar bem rápido para alcançá-lo, demorei um pouco pra conseguir falar. Ele já estava quase indo embora quando, enfim, consegui perguntar: ‘Quem é você?’ ‘Ninguém’ – e continuou andando sem olhar pros lados. ‘Ninguém!?!’, me perguntei. Que tipo de resposta era aquela? Ninguém é simplesmente ninguém. Havia, de fato, algo de muito estranho com aquele cara. Tive que esperar outro ônibus. Fiquei por volta de uns 5 minutos ali parado no ponto enquanto tentava digerir aquela resposta que não respondia nada. Pra variar, cheguei atrasado no trabalho e tive que ir até a sala do chefe pra conversarmos sobre isso. Enquanto eu escutava desaforos do patrão, o cara, depois de andar por mais ou menos uns dois quilômetros, o que provava que, apesar de muito estranho, estava em boa forma física, parou numa padaria para comprar cigarros. Dessa vez, diferentemente da noite em que fez praticamente de tudo com a minha sogra, comprou um maço de Dallas. Normalmente a pessoa que acabou de comprar um maço de cigarros já sai da loja acendendo um, mas não foi esse o caso. Ele continuou aquela peregrinação até chegar perto de sua casa, que ficava um pouco longe do centro da cidade. Ali, finalmente, ele se encostou numa árvore e acendeu um cigarro. Já era quase hora do meu almoço e, confesso, depois de ouvir algumas verdades do meu chefe, mal podia esperar para tomar um gole daquele conhaque barato que o Bigode vendia, sempre tentando me convencer de que era um conhaque caríssimo vindo de algum país da parte mais desconhecida da Europa. Quando deu meio dia, parti, sem nem convidar um ou outro colega de trabalho, para o bar. Pedi logo uma dose de conhaque e dois risoles ‘com pouco óleo’. O Bigode, que parecia estar de bom humor, ainda me deu um torresmo de graça. Acho que ele achava estranho um cara engravatado e, aparentemente, bem resolvido na vida frequentar seu bar, que mais parecia um banheiro de estádio de futebol. Eu, sinceramente, não ligava pra isso. Me sentei do lado de fora do bar, afinal, o cheiro da parte de dentro estava me deixando um tanto enjoado, e, a cada golinho que dava naquele conhaque barato, refletia sobre aquela maldita resposta. ‘Ninguém’. Fiquei com aquilo na cabeça até o momento em que saí do trabalho. Peguei o ônibus, que estava mais lotado que o normal para aquele horário, e, de cabeça baixa, tentava me lembrar da cara do cara quando me deu a resposta. Talvez uma leitura mais precisa de suas expressões faciais me desse alguma luz sobre o caso. Não deu. Como na noite anterior, o cara estranho embarcou no ônibus. Fiquei tão nervoso ao ver aquele cara de novo que até derrubei meus óculos. Eles estavam na minha mão porque havia alguma coisa na lente do lado esquerdo e eu tentava, sem sucesso, tirar a sujeira. Uma senhora de uns sessenta e tantos anos pegou os óculos do chão pra mim, mas, de tão atordoado, nem a agradeci. O cara olhou pra mim, mas, num movimento rápido, voltou a olhar para o nada, feito um zumbi. Ele ouvia em seu fone de ouvido a mesma música do Metallica. Comecei a achar que só tinha aquela música no mp3 dele. Eu não podia perder aquela oportunidade. Dessa vez, não desci no ponto que normalmente desço. Esperei para desembarcar no mesmo ponto que o cara. Quando chegamos no ponto final, eu fingi que estava dormindo para poder descer depois dele. Aparentemente, ele nem me notou ali. O segui por um bom tempo. Como aconteceu de manhã, tive que me esforçar muito para acompanhá-lo, já que o cara andava freneticamente, o que era impressionante para um fumante, e eu, sedentário há muitos anos, me cansava facilmente. Estava com os olhos tão fixados naquele cara estranho que nem prestei atenção para onde estávamos indo, o que poderia ser muito perigoso, até porque seria extremamente desagradável me deparar com uma parte da cidade completamente desconhecido, o que me deixaria em maus lençóis, já que meu celular estava descarregado e eu não tinha nenhum cartão telefônico para entrar em contato com alguém, caso a situação ficasse mais complicada. Dei uma rápida olhada ao redor, claro, sem perder de vista o cara. Reconheci uma loja, duas, um prédio, e então percebi que, felizmente, estava num bairro conhecido. Porém, depois de refletir um pouco, coisa que tenho feito cada vez menos graças ao estresse do trabalho, analisei que aquele bairro era conhecido até demais, o que não é normal, tendo em vista que deixando de lado a vizinhança onde moro, a região onde trabalho e uma ou outra coisa que vejo na televisão, não conheço quase nada na cidade, algo que, reconheço, não é tão bom assim, afinal, se um dia eu precisasse me deslocar para um bairro mais afastado, ficaria absolutamente perdido. Aos poucos, resgatei na memória o porquê daquela sensação familiar sobre aquelas ruas; estávamos próximos à casa da minha sogra. Achei aquilo um pouco estranho no começo, mas, lembrando da noite passada, concluí que uma visita daquele cara a ela poderia ser algo até que normal, já que os dois obviamente se conheciam. Ele sentou na calçada, o que, pessoalmente, não gosto de fazer por ter medo de sujar a calça, acendeu um Dallas e ficou balançando a cabeça no ritmo da música que tocava em seu fone de ouvido. Eu me escondi atrás de um Fusca azul calcinha meio enferrujado. Já era bem tarde e comecei a imaginar o que falaria para minha esposa, porque havia prometido levá-la ao cinema e, evidentemente, isso não seria possível. Fiquei ali uns dez minutos. O cara já tinha fumado pelo menos dois cigarros, não deu pra ver direito. Finalmente ele se levantou e foi em direção à casa da mãe da minha esposa. Deu dois toques na campainha. Me perguntei o porquê dos dois toques, já que apenas um, em teoria, já seria o suficiente. Talvez fosse um código secreto entre eles, mas, considerando que aquele cara tinha hábitos muito peculiares, tocar a campainha duas vezes talvez fosse apenas mais uma de suas esquisitices. Demorou um pouco, mas minha sogra apareceu no portão. Ela estava coberta apenas por uma toalha, o que explicava a demora para atender os dois toques da campainha. O cara foi convidado a entrar. Entrou. Já que estava dando uma de detetive, achei adequado me infiltrar ainda mais no personagem e pulei o muro da casa da minha sogra, que, felizmente, não era muito alto, caso contrário, teria que parar minha perseguição. Dei uma boa olhada pela janela e percebi que o cara estava sentado no sofá esperando por algo. Minha sogra apareceu de repente com um álbum de fotos. Fiquei completamente intrigado, já que, apesar de todas as coisas que pude observar sobre aquele cara, posso ter certeza que nem a pessoa mais estranha da face da Terra pode gostar de olhar álbuns de fotos antigos, ainda mais de uma pessoa como a mãe da minha esposa, que nunca fez nada de muito interessante a não ser uma viagem para a Alemanha. Ela abriu o álbum e mostrou uma foto específica. Meio de relance tive a impressão de ser uma foto do meu casamento. Ainda bem, podemos dizer assim, que os dois saíram da sala e foram pro quarto. Eu pulei a janela, que não estava trancada, aliás, essa janela nunca tranca, me lembro bem, já que fui eu que tive que colocá-la. Depois de entrar na casa, confirmei que a famigerada foto era do meu casamento. Inclusive, era uma das fotos em que ficava clara a beleza da minha esposa e, no que diz respeito a mim, a falta dela. Fiquei muito confuso com aquilo. Por que será que minha sogra mostrou uma foto do meu casamento para um cara tão estranho quanto aquele? Agora eu queria ainda mais respostas, mas decidi ir embora, afinal, entrar no quarto naquele momento poderia trazer cenas completamente traumatizantes, já que, imagino, deve ser complicado esquecer a imagem da sua sogra transando com alguém, independentemente de quem seja. Cheguei em casa e inventei uma desculpa para minha mulher. Não me lembro direito dos detalhes da conversa, mas fui tão convincente, que, acredito, ela nem desconfie do que realmente aconteceu. Na manhã seguinte liguei para o trabalho e disse que estava doente, o que, se formos analisar friamente, não era mentira, porque acordei com o nariz escorrendo e com um pouco de dor no corpo, essa talvez por ter caminhado demais na noite anterior. Não fui trabalhar para tentar descobrir de uma vez por todas quem era aquele cara e o que minha sogra e ele queriam. Logo cedo, depois que minha esposa saiu para ir à academia, algo que sempre me intrigou, já que fazia um bom tempo que ela frequentava a academia e não demonstrava sequer algum resultado, saí e fui direto para a casa da mãe da minha esposa. O caminho era um pouco longo, o que acabou sendo bom pra mim, porque pude pensar quais palavras usaria para confrontá-la. Quando cheguei, notei que o Fiat Uno verde metálico, mesmo carro do estacionamento do restaurante, estava parado em frente à casa dela, o que poderia ser um problema, porque ali a guia era rebaixada, e o cara poderia ser multado por isso. Naquele momento, não sei bem porque, me perguntei qual era o motivo do cara ter carro, já que, aparentemente, ele gostava tanto de andar e, como já é de conhecimento geral, era usuário do transporte público. Decidi que, aproveitando que ele estava por lá, o questionaria sobre isso também, assim que fosse adequado fazê-lo. Fui até o portão e reparei que ele estava aberto. Fui entrando sem pedir permissão, afinal, depois de pular o portão e entrar pela janela no dia anterior, imaginei que isso não seria tão grave. A sala de estar estava vazia, mas consegui ouvir alguns barulhos vindos do quarto. Desconfiei que minha sogra e o cara estivessem fazendo sexo novamente, o que de certo forma me irritou, porque, pra ser sincero, não faço sexo em dois dias seguidos há muito tempo. Cogitei ir embora de novo, mas, apesar do trauma que preferi evitar na ocasião passada, não poderia deixar passar mais essa chance de tirar minhas dúvidas, afinal, quem poderia me garantir que no próximo dia ou no seguinte eles não estivessem no quarto novamente? Abri a porta do quarto sem bater, até porque, se eu batesse na porta, acabaria com toda aquela aura de suspense que se criava na casa naquele momento, e que, desde quando entrei pela janela no outro dia, invadia meus pensamentos. Quando olhei pra cama, fiquei completamente paralisado ao ver minha sogra, o cara estranho e minha esposa, sim, minha esposa, juntos. Aquilo mexeu muito com a minha cabeça, mas tirou aquela dúvida que eu tinha sobre a falta de resultados da malhação da minha esposa, se bem que, pensando friamente, fazer ‘ménages à trois’ diariamente deve exigir o mesmo, ou até mais, que ir à academia. Minha chegada surpreendeu minha esposa e a mãe dela, porém, estranhamente, o cara nem ligou e, se não fosse o susto das duas, talvez até continuasse fazendo o que estava fazendo. Apesar de a situação ser completamente desagradável, preferi dar uma chance para que eles se explicassem, o que pareceu muito maduro na minha opinião, ainda mais para uma pessoa que acabara de descobrir que era corno. Passados alguns embaraçosos minutos, os três saíram do quarto e me encontraram na sala. As duas já estavam vestidas, mas o cara, que, apesar de ser o outro nessa relação, já começava a me agradar pela cara de pau, apareceu apenas de cueca. A primeira a falar foi minha sogra, o que me pareceu normal, exatamente por ela ser a pessoa mais experiente, pelo menos em teoria, entre os três. Ela disse que desde que seu marido morreu, isso há uns quatro anos, procurava por um homem que pudesse satisfazê-la sexualmente. Disse também que, no entanto, não queria substituí-lo e por isso tinha essa relação com aquele cara estranho, que não gostava de conversar e que, mais tarde, descobri que se chamava Roberto, o que é muito curioso, porque, ironicamente, é o mesmo nome do meu pai, que também já é falecido. Confesso que achei aquela versão bastante plausível, mas, logo me veio na cabeça a possibilidade da minha mãe estar fazendo o mesmo, apesar de ela ser uma senhora bastante conservadora. Mesmo acreditando naquela versão, eu ainda precisava saber o que a minha esposa tinha a ver com tudo aquilo, já que, apesar de eu não ser uma pessoa inacreditavelmente bem dotada, me considero acima da média e bastante esforçado no que diz respeito às atividades do quarto. A minha esposa então disse que, desde os vinte anos, começou a se relacionar com a mãe, que, na verdade, não é sua mãe biológica, informação que me deixou um pouco mais aliviado, afinal não preciso explicitar aqui as complicações de um relacionamento sexual entre mãe e filha. Ela me disse que, mesmo depois do nosso casamento, nunca conseguiu deixar de lado a relação com sua mãe adotiva/amante, mas me amava muito e achou que, se me contasse o que estava acontecendo, eu a deixaria. Imagino que sua avaliação estava correta, tendo em vista que para aceitar uma situação como essa é preciso ser, realmente, muito compreensivo. O cara, que ficou ali ouvindo tudo sem mover um músculo do rosto, de repente, resolveu se manifestar. Mesmo não o conhecendo, achei que ele merecia se expressar sobre o assunto, mesmo porque ele era peça central na trama. Ele disse que só participou de tudo isso, pra início de conversa, para conhecer melhor a minha esposa, pois ele havia a visto uma vez, de longe, passeando com a mãe, que, no caso, agora também é amante, e, imediatamente, se apaixonou. Só foi saber que ela era casada, comigo, no caso, depois, e não cortou relações com minha sogra – aliás, nem sei se a devo chamar de sogra depois de tudo que descobri – porque acabou curtindo a situação, principalmente a falta de compromisso. Quando ficou sabendo da relação entre mãe e filha, ficou ainda mais entusiasmado, 'como qualquer um ficaria', nas palavras dele. Depois ele me pediu desculpas e prometeu nunca mais interferir em minha vida, declaração que me fez sentir ainda mais respeito por ele, o que foi um pouco estranho, porque acabara de vê-lo fazendo sexo com minha esposa e minha sogra. Ele me cumprimentou, pegou suas roupas no quarto e foi embora. Minha esposa, a mãe dela e eu ficamos sem palavras. Depois de alguns segundos, talvez até um minuto e pouco, minha sogra disse que agora teria que procurar outra pessoa para ocupar o lugar do cara. Minha esposa, percebendo que a situação não poderia ficar pior, olhou pra mim e perguntou se eu não toparia ser essa última peça do quebra-cabeça. Confesso que naquele momento muitas coisas passaram pela minha cabeça. Fiquei um pouco irritado de início, mas, pensando bem, a oportunidade de participar de um ménage à trois depois de receber aquele bombardeio de informações não era lá uma má ideia. Além disso, como já havia dito antes, a mãe dela é uma coroa bem interessante. Olhei para minha sogra e percebi que ela também aprovava a ideia. Antes mesmo que eu pudesse responder, minha esposa me agarrou e me levou pro quarto. A mãe dela, também entrou no quarto e fechou a porta. O resto é história.

Por Álvaro Burns

(2) Comments

  1. vinicius On 31 de maio de 2011 12:02

    Uma pitada brasileiro e cachaça com estilo Bukowskiano. Achei genial. A única coisa que eu acredito que possa melhorar é que, em alguns momentos, parece que ele narra coisas que ele não presencia. Como quando você escreveu assim: "Enquanto eu escutava desaforos do patrão, o cara, depois de andar por mais ou menos uns dois quilômetros..." Você estava ouvindo desaforos do chefe ou andando com o cara? Entende?
    Achei muito longo, dava para ser mais curto e com mais ação.

    Eu gostei do estilo, mas acredito que esses pontos são cruciais. Eu comecei a ler ontem e terminei hoje, pois não consegui me focar.

    É isso Burnico. Parabéns pelo conto!

     
    Thiago Jeferson On 31 de maio de 2011 21:34

    Ae Zé! História bacana com final surpreendente! MAs rapaz, dá uma dor de cabeça pra ler! hehe...
    Talvez uns parágrafos, uns pensamentos mais destacados e tal daria mais ritmo na leitura! Pelo menos pra mim ler no computador ainda é um grande desafio! hehe

    Mas a história tá legal, a gente vai lendo e montando um clipe na cabeça!

    Thiago Jeferson (o melhor crítico literário de todos os tempos da última hora)

     

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