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O novo século trouxe consigo, dentre outras coisas, uma nova espécie humana. O infeliz.

Ele é assim chamado por parecer não estar satisfeito com sua condição de anônimo, de maneira que necessita ser visto e ouvido de alguma forma.
A maneira mais acessível que ele encontrou para atingir seu objetivo é a utilização, constante e uniformemente variada, do celular.

O infeliz é facilmente identificado pela maneira como porta seu aparelho, geralmente pendurado ao pescoço, no lugar da desconfortável melancia, que poderia lhe trazer problemas de coluna.

Estatísticamente, já é impossível pegar um ônibus sem um destes falando a viagem inteira (e não é exagero), com um outro infeliz do outro lado da linha.

Para os que não sabem, como todos os caipiras deste blog, com excessão de um, moro no ABC paulista, mas trabalho no centro de São Paulo, o que faz com que minhas viagens de ônibus durem, no mínimo, uma hora e meia.

Em pesquisas financiadas (com vale-transporte), até agora não se passou um dia útil deste mês de agosto, sem que eu, para não ouvir a conversa alheia, não tivesse que colocar no talo o volume do meu aparelho de mp3.
Sim, eu me contento em ter um "MP" com apenas um algarismo à sua frente, porque não tenho ouvidos, olhos e saco suficiente para aproveitar todas as maravilhas de um "eme-pê-doze".

O infeliz não pensa assim. Pela longitude das conversas, fica claro que seu objetivo de vida é ter um salário que pague o suficiente para ter um celular pós-pago por mês.

Seguindo a estatística, este cidadão sempre estará sentado no banco imediatamente à sua frente, ou ao seu lado, ou atrás de você, e quando não estiver falando neste instrumento do demônio, o celular,
estará ouvindo algo tão ou mais irritante, e mais alto que sua voz, sem fones de ouvido, para que todos no ônibus continuem sabendo que ele, o infeliz, está lá.

Como não pode ter o carro do ano, tem o celular do ano.

Eu tenho o mesmo aparelho de celular há dois anos. Teria há mais tempo, se não tivesse sido assaltado. Para nosso amigo, isto é um retrocesso.

No fim das contas, acho que estou mesmo é ficando velho e rabugento. E estou feliz com isso.

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