Nunca tive problemas na chamada 'arte de rir de mim mesmo'. Afinal, é difícil ignorar todas as imbecilidades que faço desde os tempos de garoto.
Bem, isto posto, vou à história que me motivou a escrever aqui.
Na segunda-feira, estava eu tentando juntar coragem pra fazer as matérias da rádio que trabalho (faço matérias na minha casa e mando por e-mail pra eles) quando recebi uma ligação interessante:
'Álvaro Gomes de Souza?' (conhecido como Burns...)
'Sim.'
'Você foi convocado para a vaga de oficial de escola. Você fez o concurso e passou.'
'Mas eu não fiz concurso nenhum...'
'Em 2006.'
'Ah...'
Anotei as informações e parti para me apresentar, pegar a lista de documentos necessários e a ficha para exame médico.
O local que correspondia ao endereço que me foi passado era o estacionamento de um prédio. Lá, centenas de pessoas se acotovelavam para pegar seus papéis.
Esperei, esperei, esperei e minha vez chegou.
Recebi um calhamaço explicando quando e o que deveria levar pra começar a trabalhar. Também recebi um papel para levar ao médico do exame admissional e um potinho com uma colherzinha daquelas de tomar sorvete. Imediatamente pensei no constrangimento de colher um pedaço do meu cocô (sem milho, de preferência) para entregar ao doutor, mas lendo com mais atenção, descobri que só urina (a primeira da manhã) seria necessária.
Beleza, na terça eu já tinha uma visita ao ortopedista marcada, mas conseguiria fazer o exame mais tarde.
Terça, acordei, dei aquela famosa coçada nas costelas e fui mijar. Quando a última gota molhou a cueca (a fatídica sempre é na cueca), me lembrei do potinho. Droga. Fui até a cozinha, enchi a pança de água e voltei ao urinol. Fiz força e consegui um pouquinho.
Deixei a urina esperando seu momento e fui pro ortopedista.
Quando cheguei, me identifiquei e fui pra sala de espera. É impressionante como é desconfortável ficar numa sala de espera. Todos se entreolham imaginando qual será o problema que trouxe esse ou aquele até o ortopedista...
'ÁLVARO!'
Finalmente.
Levantei e tentei não mancar pra não tirar a dúvida dos que ficaram esperando.
Logo que entrei, expliquei que o meu problema era o joelho esquerdo (não contei que o arrebentei tentando descer um skibunda em pé porque não achei que fosse relevante...).
'Abaixe a calça pra gente dar uma olhada.'
Confesso que pensei duas vezes antes de atender o pedido, mas concordei quando me certifiquei de que ele não iria tentar nada inadequado. Fiquei lá, de cueca, meia, camisa e uma jaqueta pra esquentar um pouco. O médico fez alguns movimentos com o meu joelho perguntando quando doía. Num deles, segurei a lágrima e disse calmamente: 'Assim dói.'
O diagnóstico? Terei que fazer uma ressonância magnética pra saber. Ele acha que pode ser o menisco, mas prefere esperar...
Bem, depois disso, voltei pra casa e me preparei pra segunda consulta. Agora o exame admissional. Coloquei os papéis numa pasta, o potinho com mijo numa sacola e fui.
Demorei um pouco pra achar o endereço, mas ainda consegui entrar antes das 14h, horário marcado para o exame. Me aproximei da recepcionista e entreguei a papelada.
'E a carteirinha das vacinas?'
Caramba, nem tinha me ligado que havia esquecido a carteirinha. Perguntei se poderia entregar outro dia, mas ela foi firme ao negar.
'Tem uma UBS aqui perto, vai lá, toma as vacinas e volta aqui...'
Boa ideia. Saí de lá, pedi informações pra um senhor na rua e me dirigi pra UBS. Na minha cabeça, imaginava que demoraria menos de 20 minutos pra ir, tomar as injeções e voltar. Chegando lá, dezenas de crianças acompanhadas de suas mães esperavam para receber as vacinas. Me apresentei e recebi a notícia de que poderia demorar um pouco. Pouco? Fiquei lá um tempão... O pior era ser um dos poucos marmanjos por ali. Alguns recebiam a vacina contra a gripe A na sala ao lado, mas eram insignificante minoria.
Depois de presenciar várias crianças entrarem alegres e saírem choronas da sala, ouvi meu nome. Achei um pouco constrangedor quando as mães perceberam que não era um encantador garotinho que bravamente se preparava para tomar a injeção, mas sim um jovem idiota que esquecera a carteirinha e estava ali pra tirar a vez de uma criança.
Não liguei. Fui lá, arregacei a manga e pronto. Depois, marchei em passos largos para o local do meu exame. Reparei que já tinha vazado um pouco de urina na sacolinha, mas ainda havia o bastante.
Re-encontrei a recepcionista, que rapidamente me reconheceu e me mandou esperar. Enquanto aguardava, dei uma nova lida nos papéis que recebi no dia anterior. Em letras garrafais, fui inormado que o mijo não tinha nada a ver com o exame da terça. Eu teria que levá-lo em outra data, em outro local. Fui chamado pro exame. O médico mediu minha pressão e batimentos cardíacos. Me sentei e começou o questionário.
'Altura?'
'1 e 85.'
'Peso?'
'90.'
Não devo ter 90 quilos há muito tempo, mas já que o doutor resolveu não usar a balança que juntava pó ao nosso lado, nem senti remorso. Poderia ter dito que tenho dois metros e 50 quilos que ele anotaria sem pestanejar.
Quando saí do consultório com o título de 'apto', fui ao banheiro jogar aquele xixi que levava comigo. Lavei o potinho e o pus no bolso.
Fui pra casa pensando em como tinha sido burro. Andei com um pote meio cheio (ou meio vazio) com a minha própria urina sem nenhum motivo. Comecei a rir. Quando cheguei em meu lar, liguei o computador e comecei a escrever:
"Nunca tive problemas na chamada 'arte de rir de mim mesmo'"...
Bem, isto posto, vou à história que me motivou a escrever aqui.
Na segunda-feira, estava eu tentando juntar coragem pra fazer as matérias da rádio que trabalho (faço matérias na minha casa e mando por e-mail pra eles) quando recebi uma ligação interessante:
'Álvaro Gomes de Souza?' (conhecido como Burns...)
'Sim.'
'Você foi convocado para a vaga de oficial de escola. Você fez o concurso e passou.'
'Mas eu não fiz concurso nenhum...'
'Em 2006.'
'Ah...'
Anotei as informações e parti para me apresentar, pegar a lista de documentos necessários e a ficha para exame médico.
O local que correspondia ao endereço que me foi passado era o estacionamento de um prédio. Lá, centenas de pessoas se acotovelavam para pegar seus papéis.
Esperei, esperei, esperei e minha vez chegou.
Recebi um calhamaço explicando quando e o que deveria levar pra começar a trabalhar. Também recebi um papel para levar ao médico do exame admissional e um potinho com uma colherzinha daquelas de tomar sorvete. Imediatamente pensei no constrangimento de colher um pedaço do meu cocô (sem milho, de preferência) para entregar ao doutor, mas lendo com mais atenção, descobri que só urina (a primeira da manhã) seria necessária.
Beleza, na terça eu já tinha uma visita ao ortopedista marcada, mas conseguiria fazer o exame mais tarde.
Terça, acordei, dei aquela famosa coçada nas costelas e fui mijar. Quando a última gota molhou a cueca (a fatídica sempre é na cueca), me lembrei do potinho. Droga. Fui até a cozinha, enchi a pança de água e voltei ao urinol. Fiz força e consegui um pouquinho.
Deixei a urina esperando seu momento e fui pro ortopedista.
Quando cheguei, me identifiquei e fui pra sala de espera. É impressionante como é desconfortável ficar numa sala de espera. Todos se entreolham imaginando qual será o problema que trouxe esse ou aquele até o ortopedista...
'ÁLVARO!'
Finalmente.
Levantei e tentei não mancar pra não tirar a dúvida dos que ficaram esperando.
Logo que entrei, expliquei que o meu problema era o joelho esquerdo (não contei que o arrebentei tentando descer um skibunda em pé porque não achei que fosse relevante...).
'Abaixe a calça pra gente dar uma olhada.'
Confesso que pensei duas vezes antes de atender o pedido, mas concordei quando me certifiquei de que ele não iria tentar nada inadequado. Fiquei lá, de cueca, meia, camisa e uma jaqueta pra esquentar um pouco. O médico fez alguns movimentos com o meu joelho perguntando quando doía. Num deles, segurei a lágrima e disse calmamente: 'Assim dói.'
O diagnóstico? Terei que fazer uma ressonância magnética pra saber. Ele acha que pode ser o menisco, mas prefere esperar...
Bem, depois disso, voltei pra casa e me preparei pra segunda consulta. Agora o exame admissional. Coloquei os papéis numa pasta, o potinho com mijo numa sacola e fui.
Demorei um pouco pra achar o endereço, mas ainda consegui entrar antes das 14h, horário marcado para o exame. Me aproximei da recepcionista e entreguei a papelada.
'E a carteirinha das vacinas?'
Caramba, nem tinha me ligado que havia esquecido a carteirinha. Perguntei se poderia entregar outro dia, mas ela foi firme ao negar.
'Tem uma UBS aqui perto, vai lá, toma as vacinas e volta aqui...'
Boa ideia. Saí de lá, pedi informações pra um senhor na rua e me dirigi pra UBS. Na minha cabeça, imaginava que demoraria menos de 20 minutos pra ir, tomar as injeções e voltar. Chegando lá, dezenas de crianças acompanhadas de suas mães esperavam para receber as vacinas. Me apresentei e recebi a notícia de que poderia demorar um pouco. Pouco? Fiquei lá um tempão... O pior era ser um dos poucos marmanjos por ali. Alguns recebiam a vacina contra a gripe A na sala ao lado, mas eram insignificante minoria.
Depois de presenciar várias crianças entrarem alegres e saírem choronas da sala, ouvi meu nome. Achei um pouco constrangedor quando as mães perceberam que não era um encantador garotinho que bravamente se preparava para tomar a injeção, mas sim um jovem idiota que esquecera a carteirinha e estava ali pra tirar a vez de uma criança.
Não liguei. Fui lá, arregacei a manga e pronto. Depois, marchei em passos largos para o local do meu exame. Reparei que já tinha vazado um pouco de urina na sacolinha, mas ainda havia o bastante.
Re-encontrei a recepcionista, que rapidamente me reconheceu e me mandou esperar. Enquanto aguardava, dei uma nova lida nos papéis que recebi no dia anterior. Em letras garrafais, fui inormado que o mijo não tinha nada a ver com o exame da terça. Eu teria que levá-lo em outra data, em outro local. Fui chamado pro exame. O médico mediu minha pressão e batimentos cardíacos. Me sentei e começou o questionário.
'Altura?'
'1 e 85.'
'Peso?'
'90.'
Não devo ter 90 quilos há muito tempo, mas já que o doutor resolveu não usar a balança que juntava pó ao nosso lado, nem senti remorso. Poderia ter dito que tenho dois metros e 50 quilos que ele anotaria sem pestanejar.
Quando saí do consultório com o título de 'apto', fui ao banheiro jogar aquele xixi que levava comigo. Lavei o potinho e o pus no bolso.
Fui pra casa pensando em como tinha sido burro. Andei com um pote meio cheio (ou meio vazio) com a minha própria urina sem nenhum motivo. Comecei a rir. Quando cheguei em meu lar, liguei o computador e comecei a escrever:
"Nunca tive problemas na chamada 'arte de rir de mim mesmo'"...





Muito bom Burns!!!
Rindo muito aqui! hahhahaha
E parabéns novamente pelo emprego!
PS: se fosse eu com as vacinas teria desmaiado na sala no meio das crianças! morro de medo de injeção!
Com uma história dessas, ninguém teria problema de rir de você Burns! rsrs...
Boa burns!
Antes exame de urina do que de fezes. Pense nisso!
Antes exame de urina do que de toque. Pense nisso!