“Um dia, apontaram o dedo pra mim e disseram:
- Você é o futuro do Brasil.
Apontei de volta e disse:
- E você é o presente.”
- Anônimo –
“...quando degolaram minha cabeça passei mais de dois minutos vendo o meu corpo tremendo... ...e não sabia o que fazer, morrer, viver, morrer, viver...”
- Chico Science e Ortinho; Sangue de Bairro –
Em um reino muito distante, vivia um povo de minorias subjugadas, oprimido pelos seus assim chamados, governantes sem face, pois, não eram vistos com a população. Só sabiam que eram os mesmos, e que de tempos em tempos apareciam fotos por todos os cantos, ora deles, ora de títeres, com ecos de mudança, bravatas, um barulho tão infernal, que quando viam, eram eles de novo os governantes. Sabiam, não porque alguém os viu, mas a opressão era a mesma, quase uma assinatura, que com o passar do tempo virou característica.
Esse reino tinha muitos recursos, mas muitos defeitos, que eram escondidos atrás da cortina de marketing. Quem não conhecia o reino, vinha, via e vencia inerte a tudo, a miséria, ao descaso e inerte ao reino.
As coisas boas realmente que ainda haviam restado, eram mantidas com muito esforço “de baixo do chão”.
Os governantes passavam as sumariedades, como eram chamadas, por longas trombetas que saiam de seu longínquo, impenetrável e suntuoso castelo. Apesar da distancia, haviam repetidores do reino interessados, alguns em repetir, alguns em distorcer as sumariedades, que eram prontamente obedecidas.
O castelo tinha uma forma de comunicação, um buraco, da largura de um braço, por onde os populares podiam reclamar. E reclamavam. E reclamavam. E ouviam um eco. E ouviam. E não viam.
... :
- Chega! Um dia disseram.
- Vamos fazer o que, alguém disse.
- Não vamos obedecer, retrucou o alguém do chega.
- Errado! Disse um terceiro alguém jamais visto. Vamos ao castelo destroçá-los.
A eloqüência e beleza do terceiro alguém comoveu a todos. Estavam prontos, alguns discordavam, a única minoria que não foi, de resto, juntaram-se todas as minorias, tinha até a minoria dos taxidermistas. Eis que chega um grupo com o mesmo numero do grupo das minorias, que dizem (as minorias):
- Vocês não participam!
- Por quê?
- Porque vocês são maioria.
- Mas nos fomos oprimidos, inclusive por vocês, caras e velas atrás.
- Vocês não servem.
A maioria deu meia volta.
Durante essa linha, andaram dias e dias.
Chegaram. Prontos, minorias conhecidas e algumas nunca antes vistas, eis que uma das minorias sobe a colina:
- Não vão lutar?
-Vamos coordenar, pense! Tática de guerra. Ah! E vamos incentivar!
-Certo.
De lá de cima gritavam palavras de ordem e progresso, em baixo, desordem e sangue na boca.
Dada a partida.
E saíram com a última fúria que resta na fome, invadiram o impenetrável, lá, preencheram todos os cômodos com vingança e destruição, mas, e os governantes? Lá não estavam.
E da colina vinham os gritos, destruam tudo, e na fúria, as minorias se atingiram, uma guerra com um só exercito, ainda sim, com baixas, inclusive dos taxidermistas, sangue, cada um queria parar, mas a minoria da colina gritava:
- Destruam tudo, vinguem-se! E cada um continuou até a exaustão.
O castelo virou pó, as cinzas formavam uma nuvem, a minoria da colina desceu aos sobreviventes e disse com voz de terceiro alguém:
- Vitória! Agora vamos reconstruir um novo mundo, comecemos pelo sistema, sim...
E enquanto a minoria da colina falava, todos os seus, iam perdendo as maças do rosto, sinais de expressão, nariz, olhos...
“Não escrevo bem, por isso, tenho que escrever! Dar minha cara a tapa, aceitar a critica, que dói, oculta, faz o caranguejo voltar de volta para a casca, afinal, posso nunca escrever bem, ou posso nunca saber se um dia escreveria bem.
Critica é uma correção. Correção é uma mudança. Mudança é tudo o que é permanente na vida.”
- L. P. Lacerda -